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Freixo no Sul fluminense: 'esquerda precisa retomar trabalho de base'

Por Equipe Marcelo Freixo

Marcelo Freixo defendeu, durante debate sobre a crise política na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Resende, no Sul fluminense, que a esquerda precisa ampliar o diálogo com a população para construir um projeto alternativo, popular e participativo para o país. O encontro ocorreu na noite de terça-feira (18).

Segundo o deputado, desde a proclamação da república, a soberania brasileira é mutilada pelas barreiras impostas à participação efetiva da população nos debates e decisões sobre questões de interesse comum. A Nova República, inaugurada com a redemocratização, continua sendo conduzida pelo conluio entre elite política e econômica.

"O debate sobre democracia e república não é novo. Ele faz parte de nossa história. Lima Barreto escreveu que no Brasil não existe povo, mas público. Precisamos inverter essa lógica para que a população deixe de ser espectadora para ser protagonista da nossa democracia. Eleições são fundamentais, mas nossos sonhos não cabem nas urnas, precisamos viabilizar e valorizar a
participação das pessoas e construir um modelo cujo princípio seja a promoção dos Direitos Humanos e a redução das desigualdades", avaliou.

Para Freixo, as reformas da previdência e trabalhista são exemplos do descolamento do governo dos interesses da maioria da população e do sequestro da soberania. A agenda do governo Temer é baseada exclusivamente nos interesses dos empresários, em prejuízo dos trabalhadores.

"Terceirização não é solução para a crise, é precarização do trabalho. Num país tão desigual como o Brasil, a tal negociação direta entre patrão e empregado será, na realidade, imposição. A agenda de reformas trabalhistas é a agenda patronal, não dos empregados, que sequer são ouvidos. Não se trata de modernização, mas de arcaísmo, porque retoma critérios anteriores à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)", disse.

O deputado avaliou que a luta de Temer a favor das reformas é, na verdade, a luta para se manter na presidência. "Para parte da mídia e do empresariado, não interessa quem seja o presidente. O que importa é saber se ele terá capacidade de, através das negociatas de sempre, aprovar as reformas. Temer sabe que, se mostrar que não conseguirá realizá-las, será deposto", afirmou.

Segundo Freixo, é crucial que a esquerda fale menos e ouça mais a população. Neste sentido, a retomada do trabalho de base e a ampliação do diálogo com aqueles que pensam diferente da esquerda é fundamental para a construção de um projeto democrático e popular. "O diálogo não pode ser colonizador, de quem leva verdades. O princípio deve ser a escuta, o debate solidário e a colaboração. Mais do que apontar e analisar os problemas do país, precisamos pensar em soluções junto com as pessoas", concluiu.

Volta Redonda e Barra Mansa

Pela manhã, Freixo esteve na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Volta Redonda, onde participou de debate sobre ditadura, memória e Direitos Humanos, junto com Eder Frossard, do Conselho Regional de Serviço Social, Alejandra Estevez, professora da UFF e integrante do Centro Memória do Sul Fluminense Genival Luis da Silva, e Edson Lana, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Volta Redonda, onde funciona fábrica da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), foi um centro de resistência dos operários à ditadura civil-militar. Segundo o relatório da Comissão da Verdade Dom Waldyr Calheiros, que trata dos crimes cometido pela ditadura na região, a CSN colaborou com o regime ao perseguir e demitir trabalhadores e espionar cidadãos. As pesquisas para a elaboração do relatório, publicado em 2015, foram realizadas ao longo de dois anos. O documento e outros materiais que tratam dos anos de chumbo e da luta dos trabalhadores na região do Sul fluminense estão no Centro de Memória Genival Luis da Silva.

À tarde, Freixo se encontrou com catadores de materiais recicláveis na sede da cooperativa de mulheres Cidade do Aço. O objetivo é pensar iniciativas que melhorem as condições de trabalho e valorizem as mulheres e homens que realizam uma atividade tão importante para o município. Em Barra Mansa, o deputado se reuniu com integrantes da Pastoral Carcerária e discutiu formas de enfrentar os problemas no sistema prisional e socioeducativo no Sul fluminense.

 

*Quer organizar uma atividade com Freixo e nossa equipe em sua cidade? Inscreva-se: https://goo.gl/n3Gmto

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