Esqueçam as machadadas de Jack Nicholson em “O Iluminado”, a menina obsediada girando a cabeça feito coruja diante do exorcista, os contos de Edgar Allan Poe, as lendas de Chucky e Fofão, o diabolês dos discos de Xuxa tocados de trás para frente.

Horror de verdade é acordar em plena sexta-feira 13 sob os desígnios sinistros dos vampiros peemedebistas. É o que acontecerá caso o Senado aprove o parecer da comissão de impeachment, que deve ser votado amanhã. Dilma Rousseff, então, será afastada e substituída por Michel Temer.

O Rio de Janeiro é mal-assombrado pelo PMDB desde 2003, quando começou o governo Rosinha Garotinho. O partido controla a prefeitura, a Câmara de Vereadores, a Assembleia Legislativa e o governo do Estado. Se Eduardo Cunha não tivesse sido afastado, a corrente estaria completa com Renan Calheiros e Temer.

O Estado acumula dívida de R$ 107 bilhões, valor superior ao orçamento deste ano, que é de R$ 80 bilhões. O PMDB, que quebrou o Rio e não paga salários de servidores e aposentadorias, concedeu incentivos fiscais que somam R$ 138 bilhões entre 2008 e 2013.

O discurso da competência é uma farsa. Hospitais e postos de saúde estão fechando, delegacias correm o risco de parar de funcionar e os peemedebistas não sabem o que fazer diante da crise que criaram.

No plano nacional, o partido não se contenta mais com o papel de eminência parda da República, desempenhado desde a redemocratização como coadjuvante do PSDB e PT. Sugar o sangue e morder nacos do poder já não enche o bucho. O apetite é de anfitrião do banquete.

Temer, Cunha, Romero Jucá, Henrique Alves, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima, que foram arroz de festa nos folguedos dos governos petistas, agora querem sentar à cabeceira.

Não tenho dúvidas de que o PMDB se esforçará para oferecer ao Brasil o que faz de melhor: chantagem e negociata. A Nova República foi erguida na base do governismo de extorsão e os peemedebistas foram seus maiores fiadores.

Enfrentá-los não é apenas se colocar como adversário de um governo e suas pautas tenebrosas, mas lutar contra o que ele representa enquanto forma de fazer política: o sequestro da soberania por aqueles que detêm o poder e querem fazer negócios.

Contrapor-se a eles é reafirmar o sentido da política como espaço de construção da cidadania e participação das pessoas nas decisões de interesse comum. É retomar a dimensão pública da pólis.

Ao menos, não seremos assombrados por Cunha nessa sexta-feira 13. O malvado favorito foi esconjurado e deixou de ser o favorito após fazer o papel sujo. Agora, ele é só malvado. Não é que Deus teve um pouco de misericórdia dessa nação?

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